Wushu RPG
Texto escrito por Paulo Antunes.
17/2/2009
Vocês já ouviram falar do sistema Wushu? Basicamente é um sistema que preza mais pela narrativa da cena como um todo, por parte do jogador, do que a descrição round por round, dando maiores liberdades para fazer uma cena mais cinematográfica. A tarefa do mestre é concluir esta narrativa e dizer o que acontece. To mandando um pdf com as regras.
Não precisam falar dele neste podcast de quarta-feira, pois está em cima da hora mesmo. Mas o meu grupo deve testar nessa semana de carnaval, num jogo de Aberrant que a gente tem. Darei minhas impressões melhores depois.
Um resumo escrito pelo nosso mestre, Daniel (créditos dele então), para nos explicar:
1- Em Wushu tudo acontece do jeito que o jogador fala, na hora em que ele fala.
Essa é a principal regra do Wushu. O jogo não se preocupa em calcular penalidades por realizar múltiplas ações ou aplicar modificadores circunstanciais. A narrativa que um jogador dá é o que realmente acontece.
2 – Qualquer um à mesa – GM ou outros jogadores – pode Vetar um detalhe narrado por outro jogador, se este não for apropriado.
Isso é para contrabalançar a regra 1 acima. Não adianta você dizer que está disparando uma metralhadora no Super-Homem, por exemplo – todo mundo sabe que isso é inútil. Por outro lado, uma narrativa que envolva o vilão “disparando sua metralhadora contra transeuntes inocentes enquanto olha para o Homem de Aço desafiadoramente e dizendo ‘Nem você pode salvar todos eles a tempo, Super-Homem!” é tão válida para a Resolução da Cena quanto o vilão Doomsday narrar que está partindo os ossos do herói.
3 – Não existe Resolução de Tarefa, e sim Resolução de Conflito.
Wushu não se preocupa em resolver ações específicas, mas sim a cena; o conflito global. Exemplo: Demolidor (da Marvel) perseguindo um ladrão. O Demolidor quer capturá-lo, o ladrão quer fugir.
Num RPG baseado em Resolução de Tarefas, o Demolidor tem que fazer testes de algum skill (ou mais de um) para pular de um prédio para outro, escalar uma cerca, perseguir o bandido, correr atrás dele e só então rolar iniciativa para um combate e eventualmente capturar o ladrão.
Em Wushu todas essas variáveis são elementos de resolução de Conflito. Você, o jogador, narra seu personagem pulando de um prédio para outro, escalando a cerca, ficando momentanemente perdido, correndo atrás do bandido e enfiando a porrada nele. Se o Demolidor vencer a cena, captura o bandido. Se o ladrão vencer, ele foge.
4 – Só os dados dizem quando a Cena foi resolvida. Antes disso, você não pode narrar a Resolução.
Continuando o exemplo acima, o jogador do Demolidor não pode descrever a captura do ladrão sem antes rolar os dados e exaurir os “Pontos de Chi” do bandido. Pontos de Chi representam o poder de cada personagem continuar incluindo detalhes e rolando dados. Quando você derrota um oponente, você ganha o direito de narrar a Conclusão da Cena. Se isso significa matar o oponente, algemá-lo ou de outra forma derrotá-lo depende de você.
Meu amigo disse que é um open source, escrito por um cara que queria usar pra rpg de kung-fu, mas esse pdf é de outro sujeito que expandiu o conceito para outros exemplos.
Achei também uma matéria na Rede RPG. Deve explicar melhor do que eu… hehehehe!
Agora um pequeno playtest que o Paulo fez com o sistema:
20/2/2009
E aí, pessoal…
Experimentaram o sistema? Tivemos um playtest aqui ontem. Pegamos uma campanha nossa de Aberrant (apenas dois jogadores mais o mestre), que estava pegando já teia de aranha. Trocadilho safado aliás, pois a minha personagem é uma espécie de Garota-Aranha, chamada Laracna (já posso ouvir Tolkien se remoendo no túmulo… hehehe).
Basicamente, o cenário é São Paulo (pois é onde tem prédio pra cacete aqui no Brasil). Minha personagem é uma vigilante não registrada e costuma formar parceria com o protetor ofical da cidade, Aster Rex (com poderes tipo o Lanterna Verde e manipulação de luz). São personagens super-divertidos que adoramos, mas o jogo tava paradão há mais de um ano.
Bem, no Wushu a sua ficha é simplesmente formada de descrições genéricas do que você faz, com nomes divertidos. Tipo, a ficha da Laracna é basicamente:
- “Does wathever a spider can” – Para resumir seus poderes aracnídeos, tal qual o amigão da vizinhança que já conhecemos.
- “Geek pro” – A garota é bem inteligente, saca de ciências e é uma puta artista. Seu emprego como civil é de desenhista (DUH!)
- “Kick ass, wise ass” – Além de boa de porrada, ela ainda solta piadinhas (tal qual o… blá, blá, blá)
- “Cool Indie” – Sua parte social, carisma, garota fã de Yeah Yeah Yeahs e Withe Stripes, etc.
… e obrigatoriamente uma fraqueza – “Família e amigos” – alvos em potencial para seus inimigos, caso descubram quem ela é.
Bem, se já deram uma lida nas regras, sabem como elas funcionam. Não vou dar um tutorial aqui.
As impressões sobre o sistema foram as seguintes… Eu gostei. Gosto da liberdade narrativa, de poder criar minha própria cena para depois ver se realmente ela foi bem sucedida ou não. É melhor do que ficar round por round, tirando a fluidez do negócio. Certas vezes eu travei na hora de falar, edeixando coisas em aberto demais, sem saber como conluir, por puro vício de jogador mesmo, já que em Wushu, você é um pouco o narrador também.
A narração das suas ações como jogador são muito interessantes. Vale até dizer que você esta apanhando, se assim você desejar. O que interessa é o quão legal a cena vai sair e o número de detalhes que você coloca. E isso influencia nos dados que o mestre vai te dar para a resolução da cena.
Não é um sistema para todos. Tem que ser macaco vééééééio de mesa, já querendo experimentar coisas novas. Tem que gostar de interpretar, e se projetar. Jogadores caladões, ou que gostam de resolver tudo nos dados, não vão nem querer saber do sistema. É um modo novo de encarar o RPG. É perfeito para jogos mais cafagestes, tipo pulp, faroeste, artes-marciais, piratas. Aquele jogo da ilha dos macacos do Rodolfo iria cair como uma luva.
Muito recomendado para ambientações próprias e mais soltas. Acho que jogos do WoW e de D&D não caíriam muito bem, mas achei ótimo pra supers. Certamente vou repetir a dose.
T+
Paulo Antunes
Blog: http://thefirestarter.blogspot.com/
“So which of the Latin countries are you from:
the one with the civil war, the one with the
cocaine, or the one with the fancy hats?”
Stewie Griffin (Family Guy)